Não usar gravatas: uma ajudinha no combate ao aquecimento global

(Foto: Manuel Outomuro)

** Gilberto Natalini

O prefeito eleito João Doria anunciou uma simpática e singela orientação à sua equipe, carregada de significados. Assim abandonaremos todos o uso de gravatas, para grande alívio no próximo verão e conforto geral. Tal caráter mais informal no vestuário reduz o formalismo e aproxima a administração do cidadão, num país dado a muitos salamaleques no cerimonial, com raízes no nosso passado autárquico. Esse novo tom da gestão, que terá a marca da eficiência e inovação se denota também pela pontualidade e objetividade, patente já nas primeiras reuniões e entrevistas, sem os costumeiros longos discursos de autoridades, prática generalizada pelo país afora.

Pelo meu lado ambientalista e como futuro secretário municipal do verde e meio ambiente fico muito contente por mais uma razão. Não usar gravatas significa mais conforto térmico, algo que como médico posso explicar brevemente. Perdemos calor em especial pela cabeça (para arrefecer nosso “computador – o maravilhoso cérebro humano). A roupa mais folgada significa melhor circulação de ar, o que ajuda ao controle homeostático a baixar a temperatura corporal, termoregulada pela transpiração, sob supervisão do hipotálamo, através das glândulas sudoríparas (cada grama de suor libera cerca de 580 calorias ao evaporar). A densidade dessas glândulas é alta precisamente no tórax e abdômen: 155 / cm² X 60 a 80 / cm² no dorso.

O que isso tem haver com o aquecimento global? Muita coisa! Nos edifícios de escritório em todo mundo se gasta muita energia com ar condicionado e iluminação (55 a 70% do total de eletricidade). Parte considerável desta eletricidade provém de usinas a carvão, diesel e gás natural, todos combustíveis fósseis que geram o famigerado gás carbônico, principal gás de efeito estufa (72% do total de gases que causam o aquecimento global antropogênico). Infelizmente durante os 13 anos de gestão petista a nossa matriz elétrica ficou mais suja com mais térmicas e isso significa que cada kWh gera mais gases de efeito estufa (GEEs).

Quando do terrível maremoto em 2011, que provocou o desastre e o fechamento da usina nuclear de Fukushima e na sequência de outras centrais nucleares, o governo central japonês passou diretiva para que todos os funcionários públicos deixassem de usar gravatas, permitindo subir a temperatura em ambientes de trabalho para 28ºC ou mais, durante o verão. A campanha, denominada Cool Blz (um trocadilho que significa algo como “negócio menos quente e mais bacana”) envolve se adotar camisas de manga curta e eliminar gravatas e já estava em andamento na ocasião. Isso permitiu evitar a liberação de 1,69 milhão de toneladas de CO2 em 2010. Outras ações incluem iluminação LED, filmes refletivos, brises nas janelas, paredes verdes etc.

Ou seja, em pequenas ações cotidianas sem custo podemos tornar a administração pública mais eficiente, cortar custos e desenvolver um melhor ambiente de trabalho.

Mais novidades vêm por aí! Esperemos a nova moda pegue em nosso país tropical!

** Gilberto Natalini é o futuro secretário do verde e meio ambiente na gestão do prefeito eleito João Dória em São Paulo.


Artigo- Este artigo reflete a opinião do autor e não do Organics News Brasil. O portal não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízo de qualquer natureza em decorrência dessas informações.