Ônibus elétricos no radar do transporte público de São Paulo

Da esquerda para direita: Vereador Caio Miranda; Jaime Waisman, diretor da Sistran; Luiz Cortez, coordenador da ILATS; e o Vereador Gilberto Natalini (Foto: Luciana Almeida)

Às vésperas da licitação dos transportes da cidade de São Paulo, autoridades se reuniram no Salão Latino Americano de Veículos Híbridos-Elétricos, Componentes e Novas Tecnologias, nesta sexta-feira (22), para debater o sistema de transporte da capital paulista.

O principal ponto levantado pelos vereadores de São Paulo, Caio Miranda e Gilberto Natalini, é a inclusão de ônibus elétricos na frota municipal pela Licitação dos Transportes da prefeitura.

A licitação aguarda o aval para alterar o prazo estipulado pela Lei Municipal de Mudanças Climáticas (nº 14.933), que determina que todos os ônibus em circulação na cidade sejam movidos a combustíveis limpos até 2018. Meta que está longe de ser cumprida.

O vereador Gilberto Natalini está confiante de que após a inserção dos veículos elétricos na cidade e a conscientização da sociedade sobre os seus benefícios, a adesão a estes automóveis será mais rápido do que o esperado. Para a autoridade, o preço ainda é um obstáculo que precisa ser debatido para tornar os veículos acessíveis a todos.

“O custo precisa ser debatido entre todos os agentes: os governos, as empresas e a sociedade. Eu acho que estamos em um limiar de um clique, em São Paulo vai começar com a frota de ônibus e depois, rapidamente, em um prazo mais rápido do que a gente imagina, os elétricos vão se expandir na cidade. Está perto de São Paulo dar um salto no setor”, disse otimista.

Natalini contou que está em debate a criação de uma lei que prevê um “incentivo” para empresários investirem na mudança da frota. “Na lei, que estamos preparando, existe um incentivo para o empresário caminhar na mudança da frota. Quem não cumprir as metas estipuladas pela lei, será multado. A ideia é expandir a frota em dez anos e que a cada dois anos sejam feitas inspeções para ver quem está seguindo este caminho e quem não estiver, vamos multar”, ressaltou.

Atualmente, o sistema de ônibus não atende a necessidade do município, avaliou o vereador Caio Miranda. Para ele, é necessário ouvir a demanda da população e estruturar a mobilidade da cidade de forma a atender toda a população.

“As linhas de ônibus não atendem mais a necessidade da cidade. Elas foram pensadas em um momento que o metrô era menor e a CPTM não era integrada. Hoje, nós temos uma realidade diferente. Os ônibus transportam mais pessoas que o metrô e os trens juntos, sendo um fator essencial na mobilidade das pessoas, e é extremamente ineficiente”, argumentou.

A proposta do vereador é que os ônibus movidos a combustíveis fósseis sejam substituídos por elétricos nos corredores exclusivos. “Não faz sentido ter ônibus a combustão. Tem que ser elétrico, trólebus ou até mesmo bonde”.

Por não usar combustíveis fósseis em sua matriz energética, um dos benefícios dos veículos elétricos é a redução da poluição atmosférica e sonora. De acordo com um estudo realizado pela Escola de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), a poluição do ar é responsável pela morte prematura de 4 mil pessoas por ano apenas na capital, com um custo financeiro de R$ 1,5 milhão.

A poluição sonora também está no radar da Câmara. Miranda defende a criação de um marco para combater o ruído de veículos de grande porte. O ônibus é o principal alvo. Está em tramitação na Câmara o Projeto de Lei 405/2017, que determina a inspeção de ruídos e poluentes em ônibus, caminhões e em outros veículos da frota pública municipal.

“O impacto que o ônibus causa é potencializado nas cidades e atinge muitas pessoas. Além de poluir, ele emite um barulho ensurdecedor, afetando passageiros, motoristas e as pessoas por onde ele passa”, explicou.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma exposição a sons acima de 75 decibéis (dB) durante 8 horas por dia causa a perda relativa da audição. Atualmente, alguns ônibus passam de 100 dB.

O Organics News Brasil conversou com o Vereador de São Paulo, Gilberto Natalini, sobre a implantação de veículos elétricos na capital paulista. Ouça a entrevista: