Mudança climática afeta adaptação das espécies e ecossistemas

(Foto: Pixabay)

O aquecimento do planeta está acelerando as mudanças nos ecossistemas da Terra, modificando as suas características originais e aumentando a vulnerabilidade das espécies, inclusive a humana. É o que constatou um novo estudo publicado na revista Science.

Segundo o estudo, as mudanças climáticas estão causando a redistribuição geográfica das espécies vegetais e animais a nível global. Estes deslocamentos estão criando novos ecossistemas e comunidades ecológicas, que afetarão a sociedade humana.

As mudanças já estão sendo diagnosticadas por cientistas de universidades brasileiras, americanas, europeias e australianas, que previram um número maior de epidemias, devido ao deslocamento dos mosquitos, um novo desenho da geografia agrícola, pela falta de polinizadores, e migrações de comunidades tradicionais inteiras em busca de alimentos.

Todos os seres vivos são sensíveis às mudanças climáticas e ao longo da história da Terra, as espécies se remodelaram em resposta a eventos tectônicos, oceanográficos e climáticos. Porém as mudanças projetadas para o século 21, já se comparam às maiores mudanças globais nos últimos 65 anos, de acordo com os cientistas.

“Significa dizer que a resposta biológica vai acontecer em ritmo mais violento e em escala global”, disse Raquel Garcia, pesquisadora brasileira da Universidade da Cidade do Cabo, na África do Sul, e uma das autoras do estudo, em entrevista ao Observatório do Clima (OC).

Estudos recentemente mostram que dezenas de espécies de peixes de águas rasas se deslocaram para águas mais profundas à procura de temperaturas amenas e mamíferos que viviam em encostas de montanhas migraram para regiões mais elevadas.

“São alterações aparentemente sutis, mas que geram uma reação em cadeia poderosa”, diz Garcia, especialista na relação entre biodiversidade e mudanças climáticas.

Segundo a pesquisadora, em um novo ambiente, as espécies passam a apresentar novas respostas biológicas a essa interação e as mais sensíveis entram, rapidamente, em um processo que leva à extinção.

Mesmo que pareça improvável, o deslocamento das espécies e a transformação do ecossistema nos afeta diretamente. Vírus que causam epidemias, como o zika e a malária, serão mais comuns e devem atingir populações inteiras.

Além disso, a cultura de alguns alimentos sensíveis, como o café, também está sob forte ameaça, à medida que as distribuições de polinizadores migram e as pragas das plantas perdem os predadores.

Comunidades indígenas terão de encontrar alternativas à falta de peixe, já que os cardumes estão se deslocando com o aquecimento da água. “Haverá consequências culturais, sociais e econômicas a uma parcela representativa da população mundial, algo que ainda não experimentamos, e nem sempre as soluções possíveis terão efeito a curto prazo”, afirmou Gretta Pecl, pesquisadora australiana que liderou o estudo.

** Com informações do Observatório do Clima