Desmatamento da Amazônia em debate

Área desmatada da Floresta Amazônica, no Pará. (Foto: Daniel Beltrá/Greenpeace)

Durante o encontro, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e ONGs da área ambiental firmaram o compromisso de promover o Fórum Permanente de Discussão de Monitoramento da Amazônia.

“Este momento (a reunião com as ONGs) foi importante para o nivelamento de informações e as perspectivas são de ampliar os debates, a capacitação e a melhoria na comunicação entre nós (ICMBio) e demais órgãos que também atuam no monitoramento”, explicou o coordenador-geral de Proteção do ICMBio, Luiz Felipe de Luca.

Áreas críticas

ICMBio e as ONGs avaliaram áreas críticas, como a BR 163 (no trecho Cuiabá-Santarém), a região conhecida como Tríplice Fronteira Amazônica (Amazonas, Mato Grosso e Rondônia) e a Terra do Meio (Pará). As ONGs também estão preocupadas com a região do Jamanxim, no Pará, onde o governo pretende construir duas mega usinas hidreltétricas, São luiz do Tapajós e Jatobá.  “Com a redução das áreas protegidas recentemente aprovadas, estamos perdendo também 700 milhões de dólares em créditos de carbono”, alertou a pesquisadora do Instituto, Vívian Ribeiro.

O Imazon também fez projeções com base na MP 756, aumentando a pressão sobre a área do Jamanxim. A organização identificou a evolução dessa pressão não só comparando as taxas de desmatamento mas cruzando com informações de ocupação humana com os dados do Cadastramento Ambiental Rural (CAR).

Desafio

“O nosso primeiro desafio é o de obter dados melhores, pois as imagens de satélites possuem muitas nuvens, o que dificulta as detecções vistas em campo”, disse a chefe da Divisão de Monitoramento e Informações (DMIF) do ICMBio, Kelly Borges. A DMIF é responsável pelo processamento e análise dos dados ambientais voltados à proteção.

Atualmente, a Divisão trabalha e divulga externamente os dados do Programa de Estimativa de Desflorestamento da Amazônia (Prodes), do Instituto Nacional de Pesquisa Espaciais (Inpe). O Prodes realiza o monitoramento por satélites do desmatamento por corte raso na Amazônia Legal e produz, desde 1988, as taxas anuais de desmate na região, que são usadas pelo governo brasileiro para o estabelecimento de políticas públicas

“Os dados do Inpe são muito importantes pois nos subsidiam com informações, tornando possíveis a análise e a produção do material que entregamos às unidades, mas é importante ter outras fontes de dados para acrescentar às nossas análises”, ressalta Kelly.

Fonte: ICMBio

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Walter Santos é jornalista, diretor de tv e especialista em energia.