Relatório contradiz argumentos do governo Trump sobre mudança climática

(Foto: Pixabay)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sempre se mostrou cético sobre a veracidade da mudança climática e do aquecimento global. Porém, um relatório preliminar desenvolvido por 13 órgãos federais norte-americanos sobre mudança climática contradiz, e muito, o discurso presidencial.

De acordo com o estudo obtido pelo jornal The New York Times (NYT), as temperaturas médias registradas nas últimas décadas foram as mais quentes nos Estados Unidos em 1.500 anos, com um aumento drástico a partir da década de 1980.

A ação humana é a responsável pelo fortalecimento da mudança climática no mundo. O relatório estima que houve um crescimento de 0.6ºC a 0.8ºC, entre 1951 e 2010, sendo que os humanos contribuíram com 92% a 123% das temperaturas registradas.

“É extremamente provável que a influência humana é a causa dominante do aquecimento observado desde a metade do século 20. Não há uma alternativa ou explicação convincente para as evidências encontradas sobre o aquecimento. A variação solar e a variação interna natural do planeta contribuem minimamente para a mudança climática observada”, afirma o relatório.

A conclusão contradiz os argumentos usados por funcionários da administração Trump. Entre eles, o diretor da Agência de Proteção Ambiental (EPA, sigla em inglês), Scott Pruitt, que questiona o método utilizado pelos cientistas para determinar a influência das ações humanas.

“Há uma tendência de aquecimento – o clima está mudando. E a atividade humana contribui para essa mudança em alguma medida. A verdadeira questão é o quanto contribuímos para isso”, disse Pruitt em entrevista a Fox News, em abril.

Apesar do aumento da temperatura parecer pequeno, o impacto já é evidenciado nos Estados Unidos: ondas de calor e secas atingiram índices recordes em algumas regiões do país e em outras localidades, as precipitações estão mais fortes do que as tempestades dos últimos 30 anos.

O estudo ainda alerta que os efeitos das mudanças climáticas podem ser generalizados. Mesmo que os gases de efeito estufa parassem de ser emitidos na atmosfera, o mundo sentiria pelo menos mais 0,30ºC na temperatura ao longo do século, em comparação aos dados atuais. Além disso, há uma “possibilidade significativa” que dois ou mais fenômenos climáticos extremos ocorram simultaneamente.

O Relatório Especial de Ciência Climática é uma avaliação nacional sobre o clima que deve ser feito a cada quatro anos, conforme determina a Lei de Pesquisa de Mudanças Globais de 1990. Porém, o estudo foi produzido apenas três vezes e os relatórios seguintes foram declinados quando George W. Bush assumiu a presidência.

O novo documento foi divulgado em uma biblioteca online em meados de janeiro. O The New York Times informou que obteve primeiro o rascunho final do relatório e, após mais algumas revisões, os cientistas encaminharam o documento para a aprovação da Casa Branca, que ainda pode alterá-lo.

Segundo a professora de ciência política na Texas Tech University e uma das cientistas que trabalhou no estudo, Katharine Hayhoe, este é o relatório de ciência climática mais abrangente já publicado.

Outros cientistas, entrevistados pelo jornal, temem que Trump faça alterações no documento para suprimir as descobertas apresentadas. “Estamos vendo este relatório agora porque cientistas, como a grande maioria dos americanos, não confiam na administração Trump com a verdade”, disse Liz Perera, diretora de política climática do Sierra Club.

Com o relatório preliminar disponível, as alterações feitas pelo governo poderão ser analisadas publicamente e mostrarão como a administração Trump está reagindo sobre as mudanças climáticas.

O vazamento do NYT foi visto como algo benéfico pelo ex-vice-presidente dos EUA, Al Gore, que pediu ao governo americano parar de censurar o trabalho científico. “Eu gostaria de apelar formalmente à administração do Trump para parar de suprimir esse relatório, parar de tentar censurar informações científicas. Mas sim divulgar este relatório para que a informação científica mais recente compilada de dezenas de milhares de cientistas com a evidência atualizada dos impactos incrivelmente duros da crise climática nos Estados Unidos sejam públicos”, disse.

Em comunicado, a secretária de imprensa da Casa Branca, Sarah Huckabee Sanders, afirmou que a administração não irá comentar sobre “qualquer relatório preliminar antes da data de lançamento programada”.

Clique aqui para acessar o rascunho divulgado pelo jornal The New York Times

** Com informações dos jornais The New York Times, The Hill e Independent

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