Cientistas descobrem a maior região vulcânica do planeta sob a Antártida

(Foto: Pixabay)

Pesquisadores da Universidade de Edimburgo descobriram 91 vulcões embaixo da região oeste da Antártida. Localizada a dois quilômetros abaixo da camada de gelo, a área é a maior área vulcânica da Terra e abriga vulcões com altura superior ao do Eiger, na Suíça, que possui, aproximadamente, 4 mil metros.

Os primeiros relatos de uma estrutura rochosa abaixo da camada de gelo da Antártida surgiram no século passado quando foram notadas por exploradores polares. A descoberta chamou a atenção do geólogo Max Van Wyk de Vries.

O estudante desenvolveu um projeto junto com o especialista em geleiras, Robert Bingham, a partir das análises feitas em pesquisas anteriores e que envolveram o uso de radar penetrante de gelo. Então, os resultados foram comparados pelos pesquisadores com os registros de satélites e informações geológicas aéreas. O objetivo era encontrar picos de rocha, similares aos produzidos por vulcões, abaixo da camada de gelo.

Após a análise dos resultados, os cientistas encontraram 91 vulcões desconhecidos, somando aos 47 outros descobertos no século passado. Estima-se que os vulcões tenham uma altura entre 100 e 3.850 metros. Os picos estão concentrados em uma região conhecida como o sistema de rift antártico ocidental.

“Nós não esperávamos encontrar nada como esse número. Nós quase triplicamos o número de vulcões que existi no oeste da Antártida. Também suspeitamos que ainda há mais na camada que se encontra sob a plataforma de gelo de Ross. Eu acho muito provável que esta área se torne a região mais densa dos vulcões do mundo, maior ainda do que a do leste da África, onde as montanhas Nyiragongo, Kilimanjaro, Longonot e todos os outros vulcões ativos estão concentrados”, disse Bingham, um dos autores do estudo, ao The Guardian.

A grande questão, para os cientistas, é como está a atividade dos vulcões recém-descobertos. Os pesquisadores alertam que se os vulcões entrarem em erupção, podem desestabilizar ainda mais as camadas de gelo que já sentem os efeitos do aquecimento global e, consequentemente, aumentar a quantidade de gelo no mar.

“Se um desses vulcões estivesse em erupção, poderia desestabilizar ainda mais os lençóis de gelo da Antártica Ocidental. Tudo o que causa o derretimento do gelo – o que uma erupção certamente seria – provavelmente acelerará o fluxo de gelo no mar”, alerta Bingham.

Apesar do crescimento do nível do mar preocupar os cientistas, a maior preocupação é que sem as camadas de gelo, os vulcões entrem em erupção, como aconteceu na Islândia e no Alasca.

“O vulcanismo, que está acontecendo no mundo atualmente, é em regiões que recentemente perderam sua cobertura de geleira – após o fim da última era do gelo. Estes lugares incluem a Islândia e o Alasca. A teoria sugere que isso está ocorrendo porque, sem folhas de gelo em cima deles, há uma liberação de pressão sobre os vulcões das regiões e eles se tornam mais ativos”.

** Com informações do The Guardian

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