Cidadania ambiental e sustentável

(Foto: Reprodução)

Com o tema “Bairro a Bairro: São Paulo mais verde”, o ONB participou da 15ª edição da Conferência de Produção Mais Limpa e Mudanças Climáticas que abordou a estrutura urbana e como os bairros exercem um papel fundamental para o desenvolvimento da cidade e do urbanismo sustentável.

Realizada pelo vereador Gilberto Natalini (PV/SP), o evento contou com palestras de urbanistas, sociólogos, pensadores, ativistas e participação de cidadãos preocupados em debater o desenvolvimento sustentável da cidade de São Paulo.

A repórter Luciana Almeida conversou como vereador Gilberto Natalini.

ONB-  Nesta edição a Conferência completou 15 anos. Como o senhor avalia este período? Notou um interesse crescente pela sustentabilidade?

GN: As conferências de Produção mais Limpa e Mudanças Climáticas alcançaram um sucesso crescente de mobilização e repercussão tornando-se o o maior fórum de discussão de questões da sustentabilidade ambiental da cidade. As conferências são eventos oficiais da Câmara Municipal paulistana, com uma temática diferente a cada edição, refletindo os problemas e os desafios mais críticos a cada ano. Sempre um diálogo de fácil entendimento e altamente produtivo que congrega cidadãos, entidades, órgãos públicos, organizações não governamentais (ONGs), universidades e iniciativa privada. Nesta última edição da P+L, ocorrida 30 de junho deste ano, novamente lotamos o auditório da sede da Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas que, aliás, nos acompanha há três anos nos cedendo o local.

Mais de 2000 pessoas assistiram Palestra Magna proferida pelo arquiteto e urbanista, professor Cândido Malta que discorreu sobre o tema: “Bairro a Bairro: São Paulo mais Verde/ Mudanças Climáticas – Desdobramentos da COP 21”. Noto que, a cada ano, o interesse das pessoas pela sustentabilidade, o viver bem, a melhor qualidade de vida para si e para os filhos, aumenta muito. Os paulistanos  – e brasileiros, em geral – vem demonstrando grande consideração em relação ao meio ambiente. Porém, ainda falta avançar no aspecto comportamental já que muitos ainda vandalizam mudas de árvores, desmatam as matas ciliares de suas propriedades, jogam lixo e entulho nas calçadas e rios e não praticam algo tão fácil como a coleta seletiva de lixo e redução do consumo de água e energia.

ONB- O principal ponto abordado pelas mesas de debate foi a falta de planejamento urbano dos governantes. Como o senhor vê a questão.

GN- Isso cria um passivo enorme para os futuros governos e novas gerações. Por exemplo: quando se permitem loteamentos clandestinos na periferia há grandes impactos como desmatamento, erosão da terra nua ( que leva ao assoreamento de córregos),  poluição de mananciais importantes para o abastecimento como o Guarapiranga. Para a população isso significa viver distante do emprego e perder horas diárias no movimento pendular casa-trabalho. Além disso, ruelas estreitas mal traçadas dificultam o acesso de serviços essenciais como bombeiros, ambulâncias e polícia. Não há espaço para arborização e, em consequência, formam-se ilhas de calor com altas temperaturas. A falta de opções de lazer e esporte leva a um grande número de bailões, em locais não indicados, que provocam incômodo devido ao ruído elevado. Enfim, é preciso que se pratique, exatamente, o que prego há anos em meus mandatos: “plantar meio ambiente e colher vida saudável”. Nesta gestão Haddad houve tremendos retrocessos e recrudescimento dos problemas. As invasões chegaram a 32 parques e a outras áreas verdes.

ONB– Outro ponto bastante criticado pelos especialistas foi o atual Plano Diretor. Em sua opinião, o planejamento urbano proposto pelo documento trará benefícios para o combate às mudanças climáticas?

GN: Eu fui um dos poucos que votaram contra. Há enormes atentados ao meio ambiente no Plano Diretor (PDE) como, por exemplo, permitir a ocupação de 30% das praças e parques em prédios públicos. Isso em uma cidade que está muito longe de atingir o mínimo recomendado pela OMS/ONU – que são 12m²/hab. Há uma grande confusão entre plano e lei de zoneamento e se permitiu um aumento desmesurado da oferta de terrenos para a construção de edifícios sem gabarito. É sensato adensar a cidade e se fazer isso ao longo dos eixos de transporte público, porém é irracional assumir corredores de ônibus que têm a mesma capacidade de transporte que o metrô e o monotrilho. No capítulo do aquecimento global temos o total descumprimento da lei de mudanças climáticas. Acabou o programa Ecofrota e 1200 ônibus ainda rodam adesivados como se usassem mistura diesel B20, usam diesel comum  (propaganda enganosa)

ONB –  Quais as principais propostas que o senhor está trabalhando para melhorar o planejamento urbano e que incentivem a sustentabilidade?

GN- Minhas propostas são as condensadas nos debates da conferência e estão disponíveis para acolher sugestões via consulta pública e também foram encaminhadas, por e-mail, para todos os inscritos. Sugiro aos leitores acessarem o site: www.natalini.com.br na página das conferências. Eu defendo que o atual Plano Diretor pleno de vícios técnicos e conceituais seja revisado na próxima legislatura e que, de imediato, se cancele decreto que permite a ocupação de 30% das praças com prédios do governo. Há, ainda, muitos outros pontos fundamentais relatados em nossa carta – compromisso do evento do último dia 30 de junho.

ONB-  Se o senhor pudesse dar um conselho para a sociedade sobre o assunto o que diria?

GN- Procure ser um cidadão ambientalmente responsável com sua família, cidade, país, planeta. Comece em casa logo cedo, por coisas simples como não deixar a torneira aberta ao escovar os dentes; a viajar desligue os aparelhos eletrônicos da tomada; adote lâmpadas LED; plante uma árvore se tiver quintal ou na calçada. Necessário separar o lixo para reciclagem; composte sobras de preparação de alimentos como cascas de legumes e talos de verduras (alguns são comestíveis e apetitosos). Se puder, use bicicleta e ande a pé; procure investir no aquecimento solar de água (uma instalação que se paga em um ano e meio). Enfim: em cada ato de sua vida, pense nas consequências.

Vereador Gilberto Natalini na abertura da Conferência Produção mais Limpa e Mudanças Climáticas foto-Divulgação
Vereador Gilberto Natalini na abertura da Conferência Produção mais Limpa e Mudanças Climáticas
foto-Divulgação
participação de ativistas, cidadãos e representantes da sociedade civil organizada foto- divulgação
participação de ativistas, cidadãos e representantes da sociedade civil organizada
foto- divulgação
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Organics News Brasil / Estilo de viver sustentável.